Tratamento da Dor
A dor crônica é definida como dor persistente por mais de três meses, geralmente de moderada a forte intensidade e de difícil controle. Pode ser descrita como queimação, pontada, ardor ou choque, estando frequentemente associada a doenças da coluna vertebral, lesões nervosas, dor oncológica ou sequelas traumáticas.
Além do impacto físico, a dor crônica compromete significativamente o bem-estar emocional, estando muitas vezes relacionada a ansiedade, estresse e depressão. Por isso, o tratamento eficaz exige uma abordagem multidisciplinar, que contemple não apenas o controle da dor, mas também os aspectos psicológicos e funcionais do paciente.
Entre as principais condições que trato estão: neuralgia do trigêmeo, enxaqueca crônica, neuralgia pós-herpética, síndrome do túnel do carpo, dor na coluna vertebral, dor persistente após cirurgia da coluna, síndrome da dor regional complexa, dor de origem oncológica e dor do membro fantasma.

Neuralgia do Trigêmeo
A neuralgia do trigêmeo, também conhecida como “tique doloroso”, é uma das causas mais intensas e incapacitantes de dor facial. Os pacientes descrevem a dor como “choque elétrico”, “pontada”, “queimação” ou dor lancinante súbita.
Caracteriza-se por crises breves, recorrentes e intensas, com duração de segundos, podendo repetir-se diversas vezes ao dia. A dor é geralmente unilateral e segue o território dos ramos do nervo trigêmeo. Pode ser desencadeada por estímulos mínimos, como mastigação, escovação dentária, fala, toque leve na face ou corrente de ar.
A causa mais comum é a compressão vascular da raiz do nervo trigêmeo no tronco cerebral. Tumores e esclerose múltipla também podem estar associados.
Tratamento
O tratamento inicial é medicamentoso, com anticonvulsivantes ajustados progressivamente. Nos casos refratários, podem ser indicados:
- Descompressão microvascular
- Rizotomia percutânea por radiofrequência
- Rizotomia por balão
- Radiocirurgia
A escolha depende da etiologia, território acometido e condições clínicas do paciente.
Enxaqueca Crônica
A enxaqueca é uma cefaleia primária caracterizada por dor pulsátil, geralmente unilateral, associada a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Em alguns casos, pode haver aura visual ou sensitiva.
Define-se como enxaqueca crônica quando ocorre dor em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses, com características típicas de enxaqueca.
Tratamento
Inclui medicações preventivas e abortivas. Nos casos refratários:
- Aplicação de toxina botulínica
- Neuroestimulação occipital
Neuralgia Pós-Herpética
A neuralgia pós-herpética é uma dor neuropática crônica que surge após infecção pelo vírus do herpes-zóster. Ocorre devido à lesão das fibras nervosas periféricas.
Caracteriza-se por dor em queimação, hipersensibilidade ao toque (alodinia) e dor persistente no território previamente acometido pelas lesões cutâneas.
Tratamento
Inclui anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos, adesivos de lidocaína e analgésicos específicos para dor neuropática. Em casos selecionados, técnicas de neuromodulação podem ser consideradas.
Síndrome do Túnel do Carpo
É uma neuropatia compressiva causada pela compressão do nervo mediano ao nível do punho.
Os sintomas incluem formigamento, dormência e dor nos dedos polegar, indicador e médio, frequentemente piorando à noite. Pode haver perda de força e atrofia muscular nos casos avançados.
Tratamento
Inicialmente conservador, com imobilização e infiltrações. Nos casos persistentes ou com déficit motor, indica-se a descompressão cirúrgica do túnel do carpo.
Dor em Coluna Vertebral
A dor na coluna vertebral pode envolver região cervical, torácica ou lombar. Pode ter origem mecânica, degenerativa, inflamatória ou compressiva.
Os sintomas variam desde dor localizada até irradiação para membros superiores ou inferiores (radiculopatia).
Tratamento
Inclui:
- Tratamento medicamentoso
- Fisioterapia
- Infiltrações guiadas
- Procedimentos minimamente invasivos
- Cirurgia nos casos com compressão neural significativa
Dor Persistente Após Cirurgia na Coluna
Também conhecida como síndrome pós-laminectomia ou Failed Back Surgery Syndrome, caracteriza-se por dor crônica persistente após procedimento cirúrgico na coluna.
Pode ocorrer por fibrose epidural, instabilidade residual, neuropatia radicular ou dor neuropática central.
Tratamento
Abordagem multidisciplinar incluindo:
- Ajuste medicamentoso
- Bloqueios intervencionistas
- Neuromodulação com estimulação medular (Spinal Cord Stimulation)
A estimulação medular é atualmente uma das terapias mais eficazes nesses casos refratários.
Síndrome da Dor Regional Complexa
Trata-se de uma condição dolorosa crônica que geralmente surge após trauma ou cirurgia, desproporcional ao evento inicial.
Caracteriza-se por dor intensa, alterações de cor e temperatura da pele, edema, alterações tróficas e limitação funcional.
Tratamento
Inclui reabilitação precoce, bloqueios simpáticos, medicações neuropáticas e, nos casos resistentes, neuromodulação.
Dor de Origem Oncológica
A dor oncológica pode resultar da infiltração tumoral em estruturas nervosas, ósseas ou viscerais, bem como dos efeitos colaterais do tratamento (cirurgia, quimioterapia, radioterapia).
Pode apresentar componentes nociceptivos e neuropáticos.
Tratamento
Baseia-se na escada analgésica da OMS, podendo incluir:
- Analgésicos opioides
- Bloqueios nervosos
- Procedimentos ablativos
- Bombas de infusão intratecal
- Neuromodulação em casos selecionados
O objetivo é controle eficaz da dor com manutenção da qualidade de vida.
Dor do Membro Fantasma
Ocorre após amputação de membro, quando o paciente sente dor na extremidade ausente. Está relacionada a reorganização cortical e alterações nos circuitos centrais de dor.
É descrita como choque, queimação ou sensação de esmagamento.
Tratamento
Inclui:
- Medicações para dor neuropática
- Terapia do espelho
- Bloqueios
- Estimulação medular ou cortical nos casos refratários